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setembro 26, 2006

...

foto: Nitsa

(Voltarei...)

julho 25, 2006

Lúcida

foto: Iva Silva

Sento-me num corredor nú
Arrefeço-me...
E aperto em mim a gratidão
A palavra humilde do ente efémero
Onde voo
Onde me sento
É meigo
É plácido e cálido
Sóror seria indiferente
Mater...
Mater intra-corredor...
Sento-me...
Agudizo-me...
Sento-me...
E é berço a minha alma
Êxtase perpendicular à faceta bípede das mãos do olhar
a percorrer...de fundo
ao fundo...
O corredor...
Imóvel...
Desnecessário mover-me...
Cinzelo um caminho assomado de nevoeiro
Pela poeira calma do caminhar de olhos...
É gelo...
E bem dentro o sorrir
A agradecer...

março 11, 2006

Shhhhhh.....


Não digas nada.
Não digas uma única sílaba nesse teu ar sereno..
Não digas..
É pecado se disseres...
É segredo se falares...
Não digas..
Nada...

Salva-me em ti...

novembro 29, 2005

De um lado da sala...



De um lado da sala estava a ausência da chuva. Um corpo reclinado no sofá ansioso pela manhã a fim de poder dormir. Abraçava a chávena de café borbulhante como se de uma criança frágil se tratasse e no tédio citadino ouvia as asas das pombas a fumegarem sombras estranhas no tecto de iluminação quase azul. Tinha nascido há quase um século e deitara-se no aconchegar murcho de poder vivenciar a intensidade proscrita daquilo a que chamavam juventude. O quadro na parede eram linhas direitas. O acre do café inadoçado amargava-lhe o olhar. Olhar meigo, redondo, negro... tão negro duma profundidade mística de cais abandonado... O telefone tocou. Ouviu uma pausa. Tocara uma só vez. Sentia um calafrio... os seios mimosos acariciavam-se mutuamente em nudez de segredos não revelados nesse afago. Estaria pronta a enfrentar a campainha grítica daquele sem fios a incendiar-lhe a curiosidade? Resolveu adormecer antes que fosse manhã. Resolveu sonhar antes que fosse tarde e resolveu acordar para mais uma noite de insónia abraçada ao fulminar vital.
Do outro lado da sala chovia. Um[...]