maio 30, 2007

Portões de sabre

Foto: David Sousa
Apeteceu-me pintar a cara de negro e integrar-me na solidão azul da noite a fazer-se de meu cobertor... Era já tarde para me fundir no rosto da noite... Era já tarde para adormecer no corredor paralelo ao índice supremo dos meus sentimentos confusos expulsados em colorido pela íris de uma florzinha sem pétalas... esvoaçada por um simples sopro...
Era inevitável encontrar os sapatinhos vermelhos debaixo da cama junto do rabinho do gato adormecido e esquecido ao pó... o gato vermelho que ambos, tu e eu fizemos de árvores só porque não nos apetecia chorar as lágrimas devidas... Promete-me... promete-me uma coisa muito simples... muito clara: não me deixes adormecer até transformar a energia desta fresta em novidade e estranhamento de petulâncias e infantis medidas sociais do dia a dia. Trevo da sorte em toda a rua verde à volta do castelo... ergue-se a ponte levadiça.. ergue-se e abate-se sobre o chão... vejo tuas listras no ventre... é madrugada... já se abrem e ouço teu choro a dizer , o coração a ficar, os olhos a vidrar e o corpo a partir...

maio 24, 2007

Memória do Real

Foto: Raul Alexandre

Traços de vida recortados antes do sol nascer
Arautos de escolhas tecidas no ventre negro
Da plenitude, da atitude máxima
em tentativa de deglutição absurdamente nervosa...
Traços de vida desperdiçados antes do sol morrer
E nem uma mensagem no caminho que se dobra
Permite o esquecimento
No fotolito quebrável da fragilidade
de sermos nossa e ser nossa recordação
no sempre...

maio 19, 2007

Neblina nua

Foto: Manuel A. Marques Lopes

Rasgas em mim a sede de me sentir alvo de sentidos
Potencias essa fúria ébria ao envolveres as asas de teu barco
Na solidão vazia...
Na neutralidade olfactiva de te procurar
Para saciar-me nas estradas tamanhas desse barco silente
Veleja-me... cobre-me na ruptura das águas
Muito antes de tudo fazer sentido
Muito antes de tu me fazeres sentidos
Os laços, os traços que essa tua água me dá...

maio 12, 2007

Calmante

Foto: Nanã Sousa Dias

Adoeço-me devagar entre as manhãs livres e as tardes incendiadas
E as noites ainda por dormir.
Adoeço-me sem pensar muito
Na melodia de meus olhos a enfrentar o sol
Latidos de agonia dentro da felicidade escassa de um sorriso-segundo
dentro de meu peito
dentro de minha fugacidade perversa de adoecer-me lentamente...
Parto...
Parto-me...
E sou pedaço escondido sempre à minha espera...

maio 09, 2007

Agradecimento ao Lobo do Mar

Agradeço ao João Marinheiro pela magia do seu blog entre as ondas e os sentimentos de tempestade violenta de alto mar... Visitem o blog: http://porquexistes.blogspot.com


Os meus nomeados são:
(por ordem alfabética)


Alisson: Todo Anjo é Terrivel

Eugénio Rodrigues em: Pierrot

João Marinheiro em: Memórias Virtuais


Sem esquecer todos aqueles que visito e revisito por me aconchegarem nos seus cantinhos...