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maio 19, 2007

Neblina nua

Foto: Manuel A. Marques Lopes

Rasgas em mim a sede de me sentir alvo de sentidos
Potencias essa fúria ébria ao envolveres as asas de teu barco
Na solidão vazia...
Na neutralidade olfactiva de te procurar
Para saciar-me nas estradas tamanhas desse barco silente
Veleja-me... cobre-me na ruptura das águas
Muito antes de tudo fazer sentido
Muito antes de tu me fazeres sentidos
Os laços, os traços que essa tua água me dá...

abril 01, 2007

Partida II

foto: Alba Luna

A alma a derreter-se de cor nesta fuga
Na essência de nos darmos ao silêncio
De repercutir o sorriso
De escutar o esboçar de lábios
No bolso da algibeira
Debaixo da saia
Por baixo, não antes, mas por baixo
E deixar para trás a suplica
Deixá-la aclarar na vadiagem da luz..

março 11, 2007

Cléo...

Foto: Cinzaxtulk

Sorri ao ver-te transformada em árvore...

fevereiro 22, 2007

Mãos

Foto: Angelica
Dádiva é a entrega de dois corpos frente a frente despidos no seu interior...

fevereiro 14, 2007

Two

Foto: Catarina Mateus

As Lágrimas respiram em veludos de beijos secretos.

junho 25, 2006

Sufocar

foto: Nuno Agosto

É nas lágrimas que permaneço
É na chuva desse odor
Curvo-me solene ao reencontro
Busco-me
É nas lágrimas que reencontro
É na chuva dessa dor
Ergo-me desgrenhada em fusão
Encontro-te:
respiração ausente
olhar orbitalmente ausente
frio, calor intermitentemente
presentes no ausente
de te ter presente: AQUI!!!!

março 31, 2006

..Iu..tou..pi..a..

It’s a strange day

No colours or shapes

No sound in my head

I forget who I am

When I’m with you

There’s no reason

There’s no sense

I’m not supposed to feel

I forget who I am

I forget

Fascist baby

Utopia, utopia

My dog needs new ears

Make his eyes see

forever

Make him live like me

Again and again

I’m wired to the world

That’s how I know everything

I’m super brain

That’s how they made me

Goldfrapp

janeiro 26, 2006

Amálgama


Os tempos mais usuais na escrita eram finalidades descritas por sequências de episódios sem limites, sem limitações aflorados de diamantes esperma a fecundarem a escrita de euforia e nostalgia dinâmica. Interrompeu a secretária agregada a vestígios de cinza e gestos de pincel e tinta substituídos por migalhas e bolachinhas trituradas entre papéis e livros a aglomerados a estatuetas e peças de roupa, um ou outro frasquinho de colónia, um cabide nu, um lenço púrpura no chão e três ou quatro chávenas gélidas com colher espalhadas ao redor da cama desfeita por o corpo que se inquietava a abrir a porta. Tão cedo, porque viera ele tão cedo, faltava-lhe o suco da retina a camuflar o peito desnudado... entrou, sentou-se no sofá enquanto ela tomava banho. As plantas precisavam de ser regadas, rasgos de comida chinesa e garrafas de bourbon vazias pelo chão mitificavam a sala em galáxia sorvedoura de invasão pós-terramoto.
picture:Klimt

dezembro 13, 2005

The bride



It starts in my belly
Then up to my heart
Into my mouth
I can’t keep it shut
Do you recognize the smell
Is that how you tell
Us apart
I fool myself
To sleep and dream
Nobody’s there
No-one but me
So cool
You’re hardly there
Why can’t this be killing you
Frankenstein would want your mind
Your lovely head
Your lovely head

Goldfrapp